Uma página da crônica conquistense: O Jornal “Belo – Campo”

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Por Ruy Medeiros

Napoleão Ferraz, em sua fazenda Chapada da Cacimba, resolveu edificar uma cidade, em 1907. Dizia ele, em relato enviado à Biblioteca Nacional, que conseguira “fundar um grande burgo que descansa n’uma vasta Planície do Município de Conquista”. Fundara o povoado de Belo Campo, no distrito que, em 1920, aparece com aquele nome. Somente em 1962, o distrito tornou-se município com sede na cidade de Belo Campo.

Belo Campo, ainda pequeno povoado, teve seu jornal precocemente em 1913, com o nome do “burgo” de Napoleão Ferraz Belo – Campo. Embora a criação do jornal fosse obra de Napoleão e de seu irmão, Cícero Ferraz, este último aparece como seu diretor e proprietário.

Desconfiava-se que do acervo da Biblioteca Nacional constasse coleção do jornal “Bello – Campo”, pois quem, como Napoleão, tivera o cuidado de relatar a criação do povoado, em documento guardado naquela Biblioteca, a fim de que pudesse “mais tarde ter algum valor no que respeita a parte histórica d’esta partícula do grande território Brasileiro”, não deixaria de enviar para ali também o jornal do “burgo”.

Roberto Lettiere, incansável pesquisador ao qual muito devem a história de Belo Campo e Cândido Sales, naquela grande biblioteca encontrou coleção (incompleta) do jornal dos irmãos Napoleão e Cícero, fundadores de Belo Campo.

Bem, o jornal foi criado há um século: 1913. A sua leitura é indispensável para o conhecimento de nossa história conquistense.

Napoleão e Cícero fizeram do jornal um instrumento de educação e de defesa dos interesses de Belo Campo e do sertão. É evidente que, também, de seus interesses particulares, pois ali possuíam casas comerciais, imóvel rural e criaram um tipo de sociedade de capitalização em que os aderentes contribuíam com valor para ser aplicado em criação e comércio de gado (União Mútua Sertaneja), que em maio de 1914 já tinha 48 sócios, entre fazendeiros e fazendeiras.

Trata-se igualmente de órgão de imprensa informativo e, nesse particular, como nos demais, importante para a história da região, como a entrevista, que indica o pensamento “progressista” de Napoleão, nominata dos membros da Guarda Nacional Republicana com seus respectivos postos, notícias de educação, etc.

No momento em que Vitória da Conquista completa 173 anos de sua emancipação (criação do Município, desmembrado da Vila de Santana do Príncipe de Caetité), é bom lembrar que, em 1913, numa parte de seu território, circulava um jornal que, ainda hoje, atrai a atenção daqueles que pesquisam a história conquistense.


Cultura, Vitória da Conquista

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